Saúde da Mulher Negra :: Projeto Adolescentes negras, HIV/AIDS e advocacy


Adolescentes negras, HIV/AIDS e advocacy: construindo metodologias




Desenvolvido por Criola, em parceria com Unicef, o projeto tem por objetivo criar e implementar uma metodologia de trabalho em educação e prevenção ao HIV/AIDS para adolescentes negras provenientes de famílias de baixa-renda da região metropolitana do Rio de Janeiro.

O projeto prioriza ações que contribuam para a redução da vulnerabilidade feminina e juvenil à epidemia e se insere no contexto da implementação do Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DST , lançado em março de 2007 pelo Ministério da Saúde.

A primeira fase, com atividades realizadas entre outubro de 2007 e março de 2008, foi marcada inicialmente pelo processo de formação de 25 adolescentes entre 13 e 20 anos em temáticas relacionadas à vivência da sexualidade, à condição de adolescente negra e à articulação destes temas com direitos humanos e políticas públicas. Esse processo visou contribuir para a construção de um olhar sobre a vulnerabilidade das adolescentes ao HIV/AIDS, para além da responsabilização individual.

As adolescentes foram estimuladas a participar em eventos de articulação de jovens e a visitar escolas e unidades de saúde do seu entorno para fazer um levantamento da situação dos serviços de prevenção ao HIV/AIDS voltados a adolescentes e jovens nas suas regiões de moradia.

A partir do que este grupo inicial de jovens considerava importante e com a participação dele, foi construída coletivamente uma proposta metodológica de educação e prevenção para o trabalho com outras adolescentes, que está sendo desenvolvida pelas próprias jovens em suas comunidades, com o apoio da equipe de Criola. ‘'E não é só a gente discutir e debater. Eu ensinei a minha mãe a usar a camisinha! Ela não sabia, achava que rasgava, ela nunca tinha visto uma camisinha feminina na vida!'' Revela Gisele Oliveira, uma das adolescentes envolvidas no projeto, que atualmente é uma das monitoras.

Estas atividades de multiplicação acontecem em diferentes áreas da Região Metropolitana: no Rio de Janeiro, em Manguinhos, Maré e Turano; no município de Magé, em Roncador; e no município de Queimados, em Nossa Senhora de Fátima e Fanchem.

Na segunda fase (a qual encontra-se em andamento), as meninas prosseguem freqüentando oficinas de formação, dando continuidade as discussões sobre sexualidade e prevenção de HIV/Aids/DSTs além de estímulo a criação de estratégias de participação em fóruns e articulações para defesa de direitos. Segue-se também na discussão e aprimoramento do instrumento de mensuração da vulnerabilidade deste segmento ao HIV/AIDS criado na primeira fase, agora contando com a colaboração de profissionais que são referência nesta temática.

O conhecimento produzido neste conjunto de ações deverá ser sistematizado em três publicações: uma voltada para adolescentes negras, uma para profissionais de saúde e educação e outra para gestores/as dessas áreas.

 

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